Eu pergunto ao Nuno porque é que ele quer ir hoje a pé, mas ele diz me que apenas porque lhe apetece. Ele faz muitas coisas que lhe apetece. Ele, as vezes, não almoça porque lhe apetece. Não anda de transportes públicos só porque lhe apetece. Recusa se a comprar carro porque diz que as pessoas dão demasiado valor a isso.
- Já estamos perto - diz ele.
A paisagem é amarela. À noite as luzes da rua são de tom amarelado. Estamos achegar a uma rua em que só tem habitações com rés-do-chão e 1º andar. Deve ser só pessoas ricas. À face da estrada estão estacionados carros de topo de gama.
- Nunca passei por aqui. Tens a certeza que vai dar á Codiceira?
Em algumas casas existem um carro dentro da garagem e mais dois á porta de casa.
Mercedes-Benz S 350 CDI Avantgarde.
BMW X6 3.5 d sport.
BMW 320 Diesel Cabrio MSport.
- Sabes porque é que nunca passaste aqui?
- Sei lá nunca calhou…
Estamos rodeados de carros que, provavelmente, valem mais do que a soma de todos os salários que eu já recebi da fábrica.De todos os anos que eu já trabalho.
- Esta rua foi desenhada por ricos a pensar nos ricos. Está um pouco deslocada do centro e dos acessos principais para que, rapazes como tu e eu, não tenham de passar por aqui nos seus caminhos para casa.
O Nuno veio vestido com umas bermudas de ganga e uma camisa branca. Já é noite e provavelmente ele tem frio, ou não.
- Se fica assim tão deslocado, que fazemos nós aqui?
- Venho apenas visitar um velho amigo. Coisa rápida.
Enquanto caminhamos vejo uma prateleira branca de alumínio num canto da rua aonde não tem casas. Um terreno pequeno que era formado por árvores e uma torre de electricidade.
Subaru Impreza 2.0 WRX STI.
Audi A5 2.7 TDI S-LINE.
O Nuno Pára em frente a um Audi deste mesmo ano. Abaixa-se e tira por baixo da sapatinha no meio da meia uma faca. Mais parecia uma faca de cozinha. Igual às que se descasca as batatas. Enquanto caminhamos espeta a faca num pneu de um carro e continua o seu caminho como se nada fosse.
- Estás maluco! Que estas a fazer.
Caminhamos um pouco mais e outro carro aprece no caminho de Nuno e sem pestanejar espeta outra vez. E com uma voz calma diz.
- Os carros estão sobreavaliados. As pessoas compram carros topo de gama, mas nas compras de casa escolhem a comida mais barata que tem no supermercado.
Eu estou a ficar preocupado porque á um cão a ladrar na casa acima do audi. Mesmo assim permaneço ao lado dele. Mais uma vez, Nuno perfura um pedaço de borracha preta com o nome de Michelin. Um Mercedes.
- As pessoas recebem indemnizações porque ao atropelarem um fulano ficaram com a pintura arranhada.
Ao tirar a faca de um BMW assustamo-nos com o som do alarme. Desatamos a correr em direcção a um monte. Mesmo antes de chegar Nuno crava a faca num Peugeot de topo.
- Temos de fugir – digo eu assustado.
- Ok eu conheço este monte!
Corremos tanto que até já sentia o mau cheiro das minhas axilas. Pelo meio da mata coberta de pinheiros e eucaliptos. No meio da escuridão. A fugir sabe-se lá de que e de quem. Para não cair levantava bem os pés. Assim conseguia pisar bem o chão e não ficar preso em alguma raiz destas árvores enormes. A luz da rua vai surgindo e o Nuno fala para mim um pouco ofegante.
- Pronto, aqui já deves saber o caminho para casa.
- Ah, já sei onde estou!
- Eu vou por ali. Então até amanha! – Despede-se o Nuno.
- Hei, não voltes a fazer uma cena destas á minha frente!
- Oh … tens de admitir. Foi divertido.
- Estás maluco, posso ir preso por ser teu cúmplice. O que é que te deu, afinal?!
- Tu sabes … apeteceu-me …
Está um espectaculo, foi a melhor que li até agora Episódeo 1 e 2.
ResponderEliminarGostei da parte "no meio da meia " "até já sentia o mau cheiro das minhas axilas"
lol
Brutal continua assim.
Aconçelhavel este Episódio.
PS: se possivel gostava de ler o Episódio 3
meito bem nelito tens muita imaginação mesmo continua assim estou a gostar do que tou a ver
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