5 de junho de 2012

Uma história de ficção – parte 3

O confuso rapaz levanta se da cama! E calça seus chinelos de quarto. Apesar de os usar em toda a casa ainda mais no quintal. Sua avó os oferecerá no seu décimo quinto aniversário. Dois coelhos muito felpudos aqueciam lhe os pés todas as manhãs quando ainda se preparava para sair á rua.

- O pequeno-almoço esta na mesa,.. Despacha te!

- Eu já te disse que consigo fazer o meu pequeno-almoço sozinho! – Com cara de zangado pega na sande de fiambre em pão de forma, sem côdea cortado em dois e formando um triângulo, começa a comer com enorme satisfação. O normal para um dia de escola deste rapaz.
Prepara se normalmente. Veste a roupa normal. Calça normalmente o calçado normal. Abre a porta normal de casa e quando a luz deixa de ofuscar os olhos deste rapaz com cabelo às repas, ele fica boquiaberto.

A vila estava um caos. Carros a pairar no ar. Árvores demolidas. Casas arruinadas.
O alcatrão das ruas todo estalado. – Mas que diabo fez isto!

- Oh meu Deus! Filho entra pra dentro. Esqueci-me! Hoje é dia do monstro do coração partido.

- Quem?

- O monstro do coração partido. É um monstro que ataca neste dia todos os anos.

- Que nome estranho. Como é que ele é? – O rapaz fica intrigado.

- Não sei. Esquece isso e vai ver televisão ou assim para o teu quarto. Hoje não podemos sair de casa.
E o rapazote fez o que toda criança faz, saio pela porta das traseiras e foi descobrir mais sobre este monstro.

Seguiu o trilho da destruição. Tudo parecia muito calmo e destruído. Pouca gente se atrevera a sair de casa.
Pelo caminho encontrou o Sr.º Rodolfo. – Que fazes aqui rapaz? Não sabes que dia é hoje?
- Sei sim Sr.º Rodolfo, por isso é que vou a casa do meu amigo para avisa-lo.

- Qual amigo?

- Aaahh … humm … o meu amigo da escola - Com ar de que não sabia o que dizer.

- Ok vai lá. Mas sabes que não devias andar por aqui. O Monstro não ataca pessoas mas destrói tudo e podes-te magoar com alguma coisa.

E o rapaz continua o caminho da destruição, que entretanto passa uma vaca a voar. O rapaz cada vez mais intrigado e espantado desvia o olhar para a vaca, ao mesmo tempo que caminhava. Quando desvia a cabeça de volta depara se com uma criatura gigantesca. Os dois olham se e o monstro solta um grunhido. Mais uma vez o rapaz não se mexe como quando viu o lobo. O monstro revoltado voltasse e começa a afastar-se, mas as pernas eram tão grandes que parecia que nem sabia andar. O rapaz segue-o de longe até que entram na floresta. Depois o monstro trepa uma árvore descomunal. A árvore era tão grande que por mais que o rapaz inclina-se a cabeça não conseguia ver o topo.

O rapaz decretou que ia ficar ali á espera até que o monstro desce se novamente. Encostou-se na árvore á espera que ele aparecesse. Quanto o sol estava quase junto da linha do horizonte o mostro desceu e acordou o rapaz com outro grunhido. Este uma voz muito grossa disse - vai te embora!
O rapaz assustado cai no chão, meio amedrontado por ver que o monstro tinha um rosto assimétrico – Não.

- O que queres?

- Quero ser teu amigo…

O monstro olha-o com um ar suspeito. Ao mesmo tempo ouve um barulho das sirenes. O monstro pega no rapaz e trepa a árvore quase até ao topo. Até a uma espécie de casa na árvore mas muito rudimentar. O rapaz fica espantado. – Tens a melhor casa na árvore que eu conheço.

Sobe para um sofá em madeira gigantesco e pergunta – Qual é o teu nome?

- Sou o Carlos, mas toda gente conhece me por monstro do …

Sem que monstro termina-se o rapaz conclui. – Do coração partido. Sim já ouvi isso muitas vezes hoje. Porque te chamam isso?

- Porque eu tenho o coração partido.

- Quem partiu?

- Ninguém. Eu nasci assim eu posso te mostras a radiografias que eu fiz no hospital.

- Estives-te no hospital?

- Sim. Eu já fui um rapazinho como tu.

- E como vieste aqui parar? Como ficaste assim?

- Eu era muito gozado quando era miúdo e toda gente me chamava de monstro do coração partido. Chegou a um ponto que eu próprio já acreditava que era verdade.

-Toda a gente te chamava isso?

- Sim expecto uma miúda.

- E aonde ela está?

- Não sei. Um dia ela chamou de monstro e eu a partir tudo. No fundo até foi um alívio.

- Porquê?

- Porque me senti vivo pela primeira vez. Senti-me livre…Queres beber qualquer coisa?

- Água pode ser.

Pega num copo de madeira com água e pousa junto do rapaz que já estava de pé. O copo era maior que rapaz. O monstro ajuda-o a beber inclinando o copo. Mas quando a água começou a sair era tanta que o rapaz foi empurrado e começou uma queda pela árvore abaixo. O rapaz muito aflito fecha os olhos.

Abre os olhos e lentamente apercebe-se que está na esquadra. Lentamente apercebe-se que tudo foi um sonho. Que teve um sonho dentro de um outro sonho. Mete a mão á cara e repara que tem um arranhão e recorda-se da primeira queda que teve, quando ainda estava a correr que originou a feriada na face.
De repente aparece a mãe dele aos berros. Excessivamente preocupada.
– Oh meu filhinho! Onde estavas estávamos todos preocupados contigo! O que aconteceu á tua cara?

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