6 de março de 2011

Dias leves são dias tristes

Para mim não á sentimento melhor que o sentimento de liberdade. O simples gesto de sair do trabalho estimula a minha mente e rasura na minha alma. Soltem o cadeado. Tirem me da jaula. Soltem me da cadeia. Tirem me a pulseira eléctrica. Eu quero conhecer o mundo, não ficar preso no mesmo sítio e ver as mesmas pessoas todos os dias. Falar sobre as mesmas coisas todos os dias. Ficar á espera de quem não vem todos os dias.

Provavelmente, o caro leitor deve estar a pensar: ”que malandro que ele é”. Eu sei, eu tenho de trabalhar, eu não vejo com maus olhos o facto de trabalhar. Mas então e a vitamina D a quem o sol tanto proporciona e que a pele anseia. Eu até podia aprofundar mais mas não me apetece.
Eu preciso tanto da liberdade como do trabalho. Eu não sou rico preciso de trabalhar. Eu sou humano preciso de me libertar. Com novas sensações provoco o bem-estar e a boa disposição. Novos caminhos, novas paisagens. A responsabilidade acrescenta significado aos dias. Mais confiança. Mais sabedoria. Sinto que estou perto do equilibro mas desconheço o limite.

Os dias são mais pesados no trabalho. A pressão de não falhar torna-se mais alta á medida que o desemprego aumenta. Há alturas que inspiro o desistir mas rapidamente expiro tudo quando meto um pé na rua. Aprecio o cheiro a pinheiro. Levanto a cabeça para o céu e deixo a luz entrar, ou até mesmo a chuva. A maior parte dos dias passo dentro das paredes do trabalho (que são mais de quatro). Tirem-me daqui! Uma mão agarra os ponteiros do relógio que está agarrado á parede e puxa no sentido contrário. A monotonia apoderasse do tempo.

No dia seguinte volto. Volto porque já faço parte da família. Porque que lá não me sinto só. Eu podia aprofundar mais mas vou só dizer que a solidão assusta-me. Talvez um dia, eu ganhe coragem desprendo-me de tudo e faça as malas. Talvez só, junto apenas de desconhecidos ou talvez com alguém …

5 comentários:

  1. a solidao torna-se uma boa companheira entre livros e vinis e um bom vinho, e um cigarro para quem fuma. o trabalho é a prisao necessaria num país em que o país nao se prende a nada. as viagens fa-las contigo por mais enorme que o grupo seja e nunca te negues. só existe uma pessoa que deves seguir, és tu. bota com força !!

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  2. Como te compreendo...mesmo!o trabalho torna-nos máquinas,obedientes a regras,receosos de qualquer erro,por causa da forma como o país está...depois é a sensação de sair do trabalho e não ter "aquela" pessoa à nossa espera,ou a confortar-nos,e saber que no dia a seguir é tudo igual.É preciso termos esperança em que algum dia as coisas mudam,mas há que fazer por isso,nunca desistir!Mas que grande é a vontade de pegar em tudo e partir...e sim,por vezes a solidão sabe bem,mas nem sempre.Quando fizeres essa viagem,faz com alguém especial,que te dê espaço para também estares contigo mesmo ;) Força!

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  3. Oi os teus textos são interessantes e estou a gostar de os ler, espero que continues e pareces um poeta a falar!

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  4. Faz as malas e vai para junto de desconhecidos...
    Depois de morreres já não o vais poder fazer, por mexe-te!

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  5. olá Nelito estás a escrever muito bem no teu blog está muito bom mesmo não ha outra coisa para dizer olha e comenta o meu blog

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