8 de abril de 2011

Episódio 3

O nosso último dia.

O nosso trabalho recompensado com dinheirinho estava a acabar. Talvez descobriram que o Nuno fazia aos livros, ou talvez não. O dia parecia normal excepto o fato de não me apetecer trabalhar. Não fomos despedidos. Eu, o Nuno e todos os outros apenas estávamos num trabalho temporário. Existe muitas empresas de recursos humanos, que contratam pessoas para trabalhar para outras empresas que necessitam, por acréscimo de trabalho num determinado tempo.

Paro pela quinta vez na máquina de café em apenas 2 horas. Já está quase na hora do pequeno-almoço. Pouso a capa. Dou mais uma volta ao armazém e chego ao cacifo para comer. Não vejo o Nuno. Provavelmente ficou a comer em cima dos livros de auto-ajuda como da última vez. De repente o passa o Nuno com ar de atarefado. Olha á volta á procura de um livro específico. Desaparece e aparece com uma palete quase com as cores do arco-íris do tamanho da sua cintura.

- Não vens lanchar? – Pergunto eu, em voz alta.

- Não viste por ai um porta paletes eléctrico? Aproximando se de mim.

- Aqui nos cacifos de certeza que não! Não vens comer qualquer coisa?

- Tenho de aproveitar esta hora, porque o pessoal encosta os porta-paletes para lanchar. E afasta se de mim.

Havia mais três temporários que estavam perto dos cacifos a lanchar. O André ao ver nos conversar ri se e diz:

- Provavelmente ouviu dizer que iam ser alguns trabalhadores transferidos para outro armazém.

- Asseriu. Não sabia disso!

- Sim já ouvi dizerem isso. Mas ainda não á pormenores e provavelmente quem vai é só o pessoal da casa. Os Temporários são escusados.

- Então é por isso que ele anda assim que nem barata tonta!

- Ya deve pensar que vai ser chamado para o outro armazém, é crente.

Volto ao trabalho, paro mais uns minutos. Dou no duro outra vez, mas por apenas 5 minutos. Paro para conversar sobre o jogo do F.C.P. Dou meia hora de treta. Mando mensagens. Paro mais 10 minutos. Vou para o quarto de banho mandar mensagens. Entretanto, já é hora de almoçar. Saímos todos, mas o relógio parece andar mais depressa fora do trabalho e dou por mim a separar livros mais uma vez.
Hoje não vi o Nuno a entrar.
Talvez tenha entrado mais cedo para dar um pouco mais de graxa.
Quem diria, o Nuno a dar graxa. Nunca pensei que ele fosse um desses! O mesmo Nuno que tinha riscado livros. O mesmo Nuno que tinha fechado um colega no quarto de banho com uma montanha de paletes na frente da porta! O mesmo Nuno que dormia no quarto de banho a primeira hora do trabalho! Estava agora a dar graxa?!

Mas pensando bem, ele até andava aplicado na última semana. Já devia ter previsto isto!
Cruzo me com ele quando ainda falta uma hora para irmos embora. É agora! Vou lhe dizer das boas!

- Com que então queres ir para o outro armazém!

- O quê?

- Sabes bem de que eu estou a falar!

- Sobre o pessoal da casa ir para outro armazém, já ouvi dizer!
- E é por isso que tens andado a trabalhar feito escravo, para ver se também vais, pois é?!

- ‘Tas parvo?! Achas mesmo que é por causa disso?! Eu já tou é farto de trabalhar aqui. Estar aqui fechado todos os dias. Hoje ao meio dia quando sai para almoçar, nem conseguia abrir os olhos quando o sol bateu me na cara. Apenas estou entusiasmado com a ideia de ir embora.

- Sim pois, deve ser mesmo isso… - digo eu com ar de desconfiado.

- Repara. Se tiveres concentrado em alguma coisa as horas passam mais depressa! É o que eu estou a fazer. Para ver se chega o fim do dia mais depressa. Esta é a oportunidade de começar de novo novamente. Este é o fim do 3º período escolar. Bloqueie aqui, mas agora vou carregar no botão reset do computador.

- Realmente até tem uma certa lógica.

- Agora diz me lá. O que é que gostavas realmente de fazer desta vida?

1 comentário:

  1. esta muito bom nelito gosto muito deste texto e muito fisce
    continua assim

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