24 de maio de 2011

Episodio 6

Convidei o Nuno para entregar uns currículos e como demoramos mais do que o planeado ofereci me para pagar o almoço. Então escolhermos francesinhas para comer.
Duas fatias de pão de forma, fiambre, linguiça, bife e salsichas.
Sabe se lá o que mais.
A acompanhar uma travessa de batatas fritas em óleo igual ao que se mete nos carros a diesel.

- Está um espectáculo. O molho aqui é uma maravilha. - Digo eu.

- Costuma se dizer que o segredo da francesinha está no molho. – Responde o Nuno.

Cerveja, caldo de carne, folhas de louro, sopa de margarina, vinho do Porto, farinha maizena, polpa de tomate.
Sabe se lá o que mais.

O Nuno tinha se esquecido dos currículos no bolso então estavam todos amaçados entre a cadeira e as suas nádegas. Preferi não dizer nada.

Isto faz me lembrar quando a minha tia tinha o café …– Tentava criar um tópico, mas o Nuno não parecia muito interessado na conversa.

Depois de algumas grafadas com os talheres de Inox o Nuno reparou que numa mesa um pouco afastada. Cada vez que passava uma pessoa, fosse ela mulher ou homem, ficavam pasmados a olhar para rapariga que estava nessa mesma mesa. O que nos deixou intrigados. A rapariga tinha um ar de gótica mas não muito exagerado o que lhe assentava muito bem. Os seus cabelos com um tom de dourado fazia sobressaírem os seus olhos azuis.
Um burburinho na mesa mais próxima chamou a atenção de Nuno. Um grupo de raparigas parecia que estavam a fazer troça da rapariga dos cabelos dourados.

Estou curioso, o que terá a rapariga para chamar tanto as atenções? – Pergunta o Nuno enquanto se prepara para ir meter conversa – vou meter conversa.

A rapariga gótica tinha uma camisola branca esquisita e um casaco escuro assimétrico.
 Sabe se lá o que mais.
À volta do pescoço um colar com um símbolo desconhecido e uma pequenas pulseiras.
Sabe se lá se tinha roupa interior.
Antes que o Nuno pudesse chegar á rapariga esta levanta-se e dirige se ao McDonald’s.

- Que cena! – E volta para junto de mim no restaurante das francesinhas. 

- Deve ser da roupa. - Sugiro eu.

Enquanto ela não vinha examinamos a mesa de longe. Junto com uma saca do Jumbo estavam dois pães, umas fatias de queijo e de fiambre e uma lata de salsichas. Ainda dentro da saca notava-se um frasco de ketchup. A rapariga gótica com olhos azuis foi ao Jumbo comprou comida e estava agora na zona da restauração a comer como se nada fosse.

A seguir ela regressa, senta-se na mesa e estende um guardanapo que trouxera do McDonald’s. Nuno avança senta-se mesmo em frente a ela.

- É preciso ter lata. Vens aqui para o shopping fazer piquenique. – Diz o Nuno.

- Estas a amassar os papéis.

- Que papeis?

- Esses que tens ai no bolço de trás das bermudas.

- Oh, isto são só os meus currículos.

- Não admira que estejas desempregado, da maneira que tratas os currículos.

 O estranho á vontade da rapariga começava a fazer efeito no Nuno. Que ficou surpreendido com as duas próximas falas.

- Então qual o problema de eu estar aqui a comer a minha sandes? Tu e o teu amigo também estão a comer uma.

- Não, nós estamos a comer francesinha.

- Qual é a diferença? Apenas tu comes de faça e garfo? Para não dizer que o molho faz mal á saúde com aqueles ingredientes todos. Há, já me esquecia toma o meu talão, faz as contas!

- Por acaso, não sou eu que pago mas tu tens uma certa razão. Posso saber o nome da rapariga inteligente?

- Não.

- Então vou te chamar Piquenique.

- lol.

A rapariga coloca o lixo todo na saca do jumbo e levanta-se para ir

- Fazemos assim. Tu dás-me um dos teus currículos e se eu gostar do que vir, mando-te uma mensagem.

O Nuno com ar de cão que quer osso vê a rapariga, que tinha uma espécie de chinelos ou sandálias desaparecer no meio da multidão.

1 comentário:

  1. altamnete nelito gostossssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

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