6 de maio de 2012

Episodio 10

Isto é apenas o segundo encontro.

Nuno não queria acreditar que, apesar de ter visto o seu currículo, a rapariga ainda o queria ver. Ficou espantado quando ela disse que gostou muito.
Então ela deu-lhe a murada e ele foi a correr.
Quando ele chegou ficou a olhar para a mensagem. – Será que é mesmo aqui? -
Miguel estava junto a um portão que encaixava com um muro de pedra lascada de 2 metros e de 130 metros ao longo de uma rua. Logo e a fazer de vedação, tinha uma fileira de árvores do tamanho dos grandes candeeiros da rua, fazendo com que a casa fosse pouco visível.
Ele tocou á campainha e de seguida o portão ficou disponível para abrir.
Caminhou até á entrada da casa propriamente dita. A porta abriu e ela apareceu. Estava deslumbrante.

Ele sorriu e disse - Olá Piquenique.
Ela sorriu e disse – Olá Malandro.
- Pensei que esta rua tinha dois números 29. Nunca pensei que morasses numa casa destas.
Cinco quartos um com suite. Três quartos de banho. Banheira de hidromassagem incluída. 
- Gostas da casa? - Pergunta ela.
- Casa? Isto não é uma casa. É um castelo!
Ela sorriu. Enquanto caminhava para uma sala com uma janela enorme pergunta lhe – Queres ver a piscina? 
Pequena sala de cinema. Duas piscinas. Uma interior e uma exterior. 
Ela puxa uma fita laranja e cai lhe o pequeno vestido branco. Dá um mergulho na piscina exterior. Miguel ainda não tinha os pés bem assentes na terra e só tirou os olhos dela porque sentiu um barulho de dentro da casa.

- Acho que ouvi qualquer coisa. -
- Não te preocupes é a empregada de limpeza. –
Ela sobe para a berma da piscina e senta-se. Ele tira as sapatinhas e senta se ao lado dela a molhar as bermudas. Eles olham-se e ele fala.

- Eu quero-te conhecer.
- Com assim?
- Quero saber aquilo que gostas, o que não gostas… A tua cor favorita. Tudo.
Ela começa a mover as suas pernas para a frente e para trás. Ele continua.
- Porque não começas pelo teu nome.
- O meu nome é Piquenique. - Os dois riem-se. Faz se um pouco de silêncio constrangedor. Depois ela empurra-o e ele cai na piscina.
Ela mergulha e os dois vão ao encontro um do outro. Olham se nos olhos e quase dão um beijo.
Isto é apenas o segundo encontro e eles quase se beijam.

 Mas depois ela baixa os olhos e diz:
- Tenho de te contar um segredo.
- Tudo bem. Conta.
- Não pode ser aqui.

Os dois entram num pequeno jardim que fica ao lado da piscina. Jardim tipo os jardins de Veneza. Na entrada tinha duas estátuas. Caminham pelo pequeno percurso em que varias cores se propagam. Aonde o verde é a cor dominante transmitido paz interior. Chegam a uma fonte no centro do jardim. Árvores trepadeiras subiam pelo muro em forma de meia-lua. E a água azul como o céu escoria por um rosto de pedra.

Ela olha novamente nos olhos.
- Esta casa não é minha.
- Então?
- É de um casal que me contratou para fazer limpeza.
- A serio? Então e quem era aquela senhora que estava a limpar?
- Eles pagam-me 25 € por uma tarde de trabalho. A mulher precisava de trabalho. Eu contratei-a por 20 €.
- Mas assim só ganhas cinco euros… –
- Só ganho cinco euros por uma tarde na piscina…

Ele sorri. Agarra o rosto dela e dá-lhe um beijo.
Isto é apenas o segundo encontro e eles já se beijaram.

Depois diz-lhe  - Esta casa não é perfeita. não tem uma casa na árvore.

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